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Quem é Deus

GÊNESIS [1] 1 No princípio criou Deus os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas. Disse Deus: haja luz. E houve luz. Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.  

Genesis [1] 6 E disse Deus: haja um firmamento no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. Fez, pois, Deus o firmamento, e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das que estavam por cima do firmamento. E assim foi. Chamou Deus ao firmamento céu. E foi a tarde e a manhã, o dia segundo.                                     

Genesis [1] 9 E disse Deus: Ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu, e apareça o elemento seco. E assim foi. Chamou Deus ao elemento seco terra, e ao ajuntamento das águas mares. E viu Deus que isso era bom. E disse Deus: Produza a terra relva, ervas que dêem semente, e árvores frutíferas que, segundo as suas espécies, dêem fruto que tenha em si a sua semente, sobre a terra. E assim foi. A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo as suas espécies, e árvores que davam fruto que tinha em si a sua semente, segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro.                                     

Genesis [1] 14 E disse Deus: haja luminares no firmamento do céu, para fazerem separação entre o dia e a noite; sejam eles para sinais e para estações, e para dias e anos; e sirvam de luminares no firmamento do céu, para alumiar a terra. E assim foi. Deus, pois, fez os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; fez também as estrelas. E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra, para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.                                 

Genesis [1] 20 E disse Deus: Produzam as águas cardumes de seres viventes; e voem as aves acima da terra no firmamento do céu. Criou, pois, Deus os monstros marinhos, e todos os seres viventes que se arrastavam, os quais as águas produziram abundantemente segundo as suas espécies; e toda ave que voa, segundo a sua espécie. E viu Deus que isso era bom. Então Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas dos mares; e multipliquem-se as aves sobre a terra. E foi a tarde e a manhã, o dia quinto.                                           

Genesis [1] 24 E disse Deus: Produza a terra seres viventes segundo as suas espécies: animais domésticos, répteis, e animais selvagens segundo as suas espécies. E assim foi. Deus, pois, fez os animais selvagens segundo as suas espécies, e os animais domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom. E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher o criou. Então Deus o abençoou e lhe disse: Frutificai e multiplicai; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todo ser vivente que se arrasta sobre a terra, tenho dado todas as ervas verdes como mantimento. E assim foi. E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto.                                             

GÊNESIS [2] 1 Assim foi acabado os céus e a terra, com todo o seu exército. Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera.  

GÊNESIS [2] 4 Eis as origens dos céus e da terra, quando foram criados. No dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois nenhuma erva do campo tinha ainda brotado; porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem para lavrar a terra. Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra. E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente. Então plantou o Senhor Deus um jardim, da banda do oriente, no Éden; e pôs ali o homem que tinha formado. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. O nome do primeiro é Pisom: este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro; e o ouro dessa terra é bom: ali há o bdélio, e a pedra de berilo. O nome do segundo rio é Giom: este é o que rodeia toda a terra de Cuche. O nome do terceiro rio é Tigre: este é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto rio é o Eufrates.

Genesis [2] 15 Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para o lavrar e guardar. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Genesis [2] 18 Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea.

Genesis [2] 19 Da terra formou, pois, o Senhor Deus todos os animais o campo e todas as aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.

Genesis [2] 21 Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem.

Genesis [2] 23 Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.

Genesis [2] 24 Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne. E ambos estavam nus, o homem e sua mulher; e não se envergonhavam.

HEBREUS [1] 1 Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo; sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas, feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho? E outra vez, ao introduzir no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

Hebreus [1] 7 Ora, quanto aos anjos, diz: Quem de seus anjos faz ventos, e de seus ministros labaredas de fogo. Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros; e: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; eles perecerão, mas tu permaneces; e todos eles, como roupa, envelhecerão, e qual um manto os enrolarás, e como roupa se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão. Mas a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?

JOÃO [1] 1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.       

João [1] 6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

João [1] 14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai. João deu testemunho dele, e clamou, dizendo: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim, passou adiante de mim; porque antes de mim ele já existia. Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

João [1] 18 Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer. E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu? Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: Eu não sou o Cristo. Ao que lhe perguntaram: Pois que? És tu Elias? Respondeu ele: Não sou. És tu o profeta? E respondeu: Não. Disseram-lhe, pois: Quem és? para podermos dar resposta aos que nos enviaram; que dizes de ti mesmo? Respondeu ele: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. E os que tinham sido enviados eram dos fariseus.

João [1] 25 Então lhe perguntaram: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? Respondeu-lhes João: Eu batizo em água; no meio de vós está um a quem vós não conheceis. aquele que vem depois de mim, de quem eu não sou digno de desatar a correia da alparca.

João [1] 28 Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando. No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que passou adiante de mim, porque antes de mim ele já existia. Eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, é que vim batizando em água. E João deu testemunho, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. Eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar em água, esse me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito, e sobre ele permanecer, esse é o que batiza no Espírito Santo. Eu mesmo vi e já vos dei testemunho de que este é o Filho de Deus.

João [1] 35 No dia seguinte João estava outra vez ali, com dois dos seus discípulos e, olhando para Jesus, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus! Aqueles dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus. Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que buscais? Disseram-lhe eles: rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde pousas? Respondeu-lhes: Vinde, e vereis. Foram, pois, e viram onde pousava; e passaram o dia com ele; era cerca da hora décima.

João [1] 40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João falar, e que seguiram a Jesus. Ele achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Havemos achado o Messias (que, traduzido, quer dizer Cristo). E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).

João [1] 43 No dia seguinte Jesus resolveu partir para a Galiléia, e achando a Felipe disse-lhe: Segue-me. Ora, Felipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. Felipe achou a Natanael, e disse-lhe: Acabamos de achar aquele de quem escreveram Moisés na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José. Perguntou-lhe Natanael: Pode haver coisa bem vinda de Nazaré? Disse-lhe Felipe: Vem e vê.

João [1] 47 Jesus, vendo Natanael aproximar-se dele, disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo! Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes que Felipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel. Ao que lhe disse Jesus: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? coisas maiores do que estas verás. E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.

JÓ [1] 1 Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó. Era homem íntegro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal. Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. Possuía ele sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas, tendo também muitíssima gente ao seu serviço; de modo que este homem era o maior de todos os do Oriente.

Jó [1] 4 Iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs para comerem e beberem com eles. E sucedia que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó e os santificava; e, levantando-se de madrugada, oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; pois dizia Jó: Talvez meus filhos tenham pecado, e blasfemado de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.

Jó [1] 6 Ora, chegado o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. O Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela. Disse o Senhor a Satanás: Notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal? Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura Jó teme a Deus debalde? Não o tens protegido de todo lado a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? Tens abençoado a obra de suas mãos, e os seus bens se multiplicam na terra. Mas estende agora a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e ele blasfemará de ti na tua face! Ao que disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo o que ele tem está no teu poder; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.

Jó [1] 13 Certo dia, quando seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho em casa do irmão mais velho, veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles; e deram sobre eles os sabeus, e os tomaram; mataram os moços ao fio da espada, e só eu escapei para trazer-te a nova. Enquanto este ainda falava, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e só eu escapei para trazer-te a nova. Enquanto este ainda falava, veio outro e disse: Os caldeus, dividindo-se em três bandos, deram sobre os camelos e os tomaram; e mataram os moços ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova. Enquanto este ainda falava, veio outro e disse: Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho em casa do irmão mais velho; e eis que sobrevindo um grande vento de além do deserto, deu nos quatro cantos da casa, e ela caiu sobre os mancebos, de sorte que morreram; e só eu escapei para trazer-te a nova.

Jó [1] 20 Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.

Jó [1] 22 Em tudo isso Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.

JÓ [2] 1 Chegou outra vez o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor; e veio também Satanás entre eles apresentar-se perante o Senhor. Então o Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? Respondeu Satanás ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela. Disse o Senhor a Satanás: Notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal? Ele ainda retém a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa. Então Satanás respondeu ao Senhor: Pele por pele! Tudo quanto o homem tem dará pela sua vida. Estende agora a mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e ele blasfemará de ti na tua face! Disse, pois, o Senhor a Satanás: Eis que ele está no teu poder; somente poupa-lhe a vida.                  

Jó [2] 7 Saiu, pois, Satanás da presença do Senhor, e feriu Jó de úlceras malignas, desde a planta do pé até o alto da cabeça. E Jó, tomando um caco para com ele se raspar, sentou-se no meio da cinza. Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua integridade? Blasfema de Deus, e morre. Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal? Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios.

Jó [2] 11 Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo esse mal que lhe havia sucedido, vieram, cada um do seu lugar: Elifaz o temanita, Bildade o suíta e Zofar o naamatita; pois tinham combinado para virem condoer-se dele e consolá-lo. E, levantando de longe os olhos e não o reconhecendo, choraram em alta voz; e, rasgando cada um o seu manto, lançaram pó para o ar sobre as suas cabeças. E ficaram sentados com ele na terra sete dias e sete noites; e nenhum deles lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.

JÓ [3] 1 Depois disso abriu Jó a sua boca, e amaldiçoou o seu dia. E Jó falou, dizendo: Pereça o dia em que nasci, e a noite que se disse: Foi concebido um homem! Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz. Reclamem-no para si as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens; espante-o tudo o que escurece o dia. Quanto àquela noite, dela se apodere a escuridão; e não se regozije ela entre os dias do ano; e não entre no número dos meses. Ah! que estéril seja aquela noite, e nela não entre voz de regozijo. Amaldiçoem-na aqueles que amaldiçoam os dias, que são peritos em suscitar o leviatã.

Jó [3] As estrelas da alva se lhe escureçam; espere ela em vão a luz, e não veja as pálpebras da manhã; porquanto não fechou as portas do ventre de minha mãe, nem escondeu dos meus olhos a aflição. Por que não morri ao nascer? por que não expirei ao vir à luz? Por que me receberam os joelhos? e por que os seios, para que eu mamasse? Pois agora eu estaria deitado e quieto; teria dormido e estaria em repouso, com os reis e conselheiros da terra, que reedificavam ruínas para si, ou com os príncipes que tinham ouro, que enchiam as suas casas de prata; ou, como aborto oculto, eu não teria existido, como as crianças que nunca viram a luz. Ali os ímpios cessam de perturbar; e ali repousam os cansados. Ali os presos descansam juntos, e não ouvem a voz do exator. O pequeno e o grande ali estão e o servo está livre de seu senhor. Por que se concede luz ao aflito, e vida aos amargurados de alma; que anelam pela morte sem que ela venha, e cavam em procura dela mais do que de tesouros escondidos; que muito se regozijam e exultam, quando acham a sepultura? Sim, por que se concede luz ao homem cujo caminho está escondido, e a quem Deus cercou de todos os lados? Pois em lugar de meu pão vem o meu suspiro, e os meus gemidos se derramam como água. Porque aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece. Não tenho repouso, nem sossego, nem descanso; mas vem a perturbação.

Ó [4] 1 Então respondeu Elifaz, o temanita, e disse: Se alguém intentar falar-te, enfadarte-ás? Mas quem poderá conter as palavras? Eis que tens ensinado a muitos, e tens fortalecido as mãos fracas. As tuas palavras têm sustentado aos que cambaleavam, e os joelhos desfalecentes tens fortalecido. Mas agora que se trata de ti, te enfadas; e, tocando-te a ti, te desanimas. Porventura não está a tua confiança no teu temor de Deus, e a tua esperança na integridade dos teus caminhos? Lembra-te agora disto: qual o inocente que jamais pereceu? E onde foram os retos destruídos? Conforme tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam o mesmo. Pelo sopro de Deus perecem, e pela rajada da sua ira são consumidos. Cessa o rugido do leão, e a voz do leão feroz; os dentes dos leõezinhos se quebram. Perece o leão velho por falta de presa, e os filhotes da leoa andam dispersos. Ora, uma palavra se me disse em segredo, e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela. Entre pensamentos nascidos de visões noturnas, quando cai sobre os homens o sono profundo, sobrevieram-me o espanto e o tremor, que fizeram estremecer todos os meus ossos. Então um espírito passou por diante de mim; arrepiaram-se os cabelos do meu corpo. Parou ele, mas não pude discernir a sua aparência; um vulto estava diante dos meus olhos; houve silêncio, então ouvi uma voz que dizia: Pode o homem mortal ser justo diante de Deus? Pode o varão ser puro diante do seu Criador? Eis que Deus não confia nos seus servos, e até a seus anjos atribui loucura; quanto mais aos que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e que são esmagados pela traça!  Entre a manhã e a tarde são destruídos; perecem para sempre sem que disso se faça caso. Se dentro deles é arrancada a corda da sua tenda, porventura não morrem, e isso sem atingir a sabedoria?

JÓ [5]1 Chama agora; há alguém que te responda; E a qual dentre os entes santos te dirigirás? Pois a dor destrói o louco, e a inveja mata o tolo. Bem vi eu o louco lançar raízes; mas logo amaldiçoei a sua habitação: Seus filhos estão longe da segurança, e são pisados nas portas, e não há quem os livre. A sua messe é devorada pelo faminto, que até dentre os espinhos a tira; e o laço abre as fauces para a fazenda deles. Porque a aflição não procede do pó, nem a tribulação brota da terra; mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas voam para cima. Mas quanto a mim eu buscaria a Deus, e a Deus entregaria a minha causa; o qual faz coisas grandes e inescrutáveis, maravilhas sem número. Ele derrama a chuva sobre a terra, e envia águas sobre os campos. Ele põe num lugar alto os abatidos; e os que choram são exaltados à segurança. Ele frustra as maquinações dos astutos, de modo que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito. Ele apanha os sábios na sua própria astúcia, e o conselho dos perversos se precipita. Eles de dia encontram as trevas, e ao meio-dia andam às apalpadelas, como de noite. Mas Deus livra o necessitado da espada da boca deles, e da mão do poderoso. Assim há esperança para o pobre; e a iniqüidade tapa a boca. Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus corrige; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso. Pois ele faz a ferida, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam. Em seis angústias te livrará, e em sete o mal não te tocará.
Na fome te livrará da morte, e na guerra do poder da espada. Do açoite da língua estarás abrigado, e não temerás a assolação, quando chegar. Da assolação e da fome te rirás, e dos animais da terra não terás medo. Pois até com as pedras do campo terás a tua aliança, e as feras do campo estarão em paz contigo. Saberás que a tua tenda está em paz; visitarás o teu rebanho, e nada te faltará. Também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade como a erva da terra. Em boa velhice irás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo. Eis que isso já o havemos inquirido, e assim o é; ouve-o, e conhece-o para teu bem.

JÓ [6] 1 Então Jó, respondendo, disse: Oxalá de fato se pesasse a minha mágoa, e juntamente na balança se pusesse a minha calamidade! Pois, na verdade, seria mais pesada do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido temerárias. Porque as flechas do Todo-Poderoso se cravaram em mim, e o meu espírito suga o veneno delas; os terrores de Deus se arregimentam contra mim. Zurrará o asno montês quando tiver erva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?: Pode se comer sem sal o que é insípido? Ou há gosto na clara do ovo? Nessas coisas a minha alma recusa tocar, pois são para mim qual comida repugnante. Quem dera que se cumprisse o meu rogo, e que Deus me desse o que anelo! que fosse do agrado de Deus esmagar-me; que soltasse a sua mão, e me exterminasse! Isto ainda seria a minha consolação, e exultaria na dor que não me poupa; porque não tenho negado as palavras do Santo. Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que me porte com paciência? É a minha força a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne? Na verdade não há em mim socorro nenhum. Não me desamparou todo o auxílio eficaz? Ao que desfalece devia o amigo mostrar compaixão; mesmo ao que abandona o temor do Todo-Poderoso. Meus irmãos houveram-se aleivosamente, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam, os quais se turvam com o gelo, e neles se esconde a neve; no tempo do calor vão minguando; e quando o calor vem, desaparecem do seu lugar.
As caravanas se desviam do seu curso; sobem ao deserto, e perecem. As caravanas de Tema olham; os viandantes de Sabá por eles esperam. Ficam envergonhados por terem confiado; e, chegando ali, se confundem. Agora, pois, tais vos tornastes para mim; vedes a minha calamidade e temeis. Acaso disse eu: Dai-me um presente? Ou: Fazei-me uma oferta de vossos bens? Ou: Livrai-me das mãos do adversário? Ou: Resgatai-me das mãos dos opressores ? Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei. Quão poderosas são as palavras da boa razão! Mas que é o que a vossa argüição reprova? Acaso pretendeis reprovar palavras, embora sejam as razões do desesperado como vento? Até quereis lançar sortes sobre o órfão, e fazer mercadoria do vosso amigo. Agora, pois, por favor, olhai para, mim; porque de certo à vossa face não mentirei. Mudai de parecer, peço-vos, não haja injustiça; sim, mudai de parecer, que a minha causa é justa. Há iniqüidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar discernir coisas perversas?

JÓ [7] 1 Porventura não tem o homem duro serviço sobre a terra? E não são os seus dias como os do jornaleiro? Como o escravo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga, assim se me deram meses de escassez, e noites de aflição se me ordenaram. Havendo-me deitado, digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até a alva. A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele endurece, e torna a rebentar-se. Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e chegam ao fim sem esperança. Lembra-te de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver o bem. Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, mas não serei mais. Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar o conhecerá mais. Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma. Sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que me ponhas uma guarda? Quando digo: Confortar-me-á a minha cama, meu leito aliviará a minha queixa, então me espantas com sonhos, e com visões me atemorizas; de modo que eu escolheria antes a estrangulação, e a morte do que estes meus ossos. A minha vida abomino; não quero viver para sempre; retira-te de mim, pois os meus dias são vaidade. Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas sobre ele o teu pensamento, e cada manhã o visites, e cada momento o proves? Até quando não apartarás de mim a tua vista, nem me largarás, até que eu possa engolir a minha saliva? Se peco, que te faço a ti, ó vigia dos homens? Por que me fizeste alvo dos teus dardos? Por que a mim mesmo me tornei pesado? Por que me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniqüidade? Pois agora me deitarei no pó; tu me buscarás, porém eu não serei mais.

JÓ [8] 1 Então respondeu Bildade, o suíta, dizendo: Até quando falarás tais coisas, e até quando serão as palavras da tua boca qual vento impetuoso? Perverteria Deus o direito? Ou perverteria o Todo-Poderoso a justiça? Se teus filhos pecaram contra ele, ele os entregou ao poder da sua transgressão. Mas, se tu com empenho buscares a Deus, e ,ao Todo-Poderoso fizeres a tua súplica, se fores puro e reto, certamente mesmo agora ele despertará por ti, e tornará segura a habitação da tua justiça. Embora tenha sido pequeno o teu princípio, contudo o teu último estado aumentará grandemente. Indaga, pois, eu te peço, da geração passada, e considera o que seus pais descobriram. Porque nós somos de ontem, e nada sabemos, porquanto nossos dias sobre a terra, são uma sombra. Não te ensinarão eles, e não te falarão, e do seu entendimento não proferirão palavras? Pode o papiro desenvolver-se fora de um pântano. Ou pode o junco crescer sem água?
Quando está em flor e ainda não cortado, seca-se antes de qualquer outra erva. Assim são as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; a esperança do ímpio perecerá, a sua segurança se desfará, e a sua confiança será como a teia de aranha. Encostar-se-á à sua casa, porém ela não subsistirá; apegar-se-lhe-á, porém ela não permanecerá. Ele está verde diante do sol, e os seus renovos estendem-se sobre o seu jardim; as suas raízes se entrelaçam junto ao monte de pedras; até penetra o pedregal. Mas quando for arrancado do seu lugar, então este o negará, dizendo: Nunca te vi. Eis que tal é a alegria do seu caminho; e da terra outros brotarão. Eis que Deus não rejeitará ao reto, nem tomará pela mão os malfeitores; ainda de riso te encherá a boca, e os teus lábios de louvor. Teus aborrecedores se vestirão de confusão; e a tenda dos ímpios não subsistirá.

JÓ [9] 1 Então Jó respondeu, dizendo: Na verdade sei que assim é; mas como pode o homem ser justo para com Deus? Se alguém quisesse contender com ele, não lhe poderia responder uma vez em mil. Ele é sábio de coração e poderoso em forças; quem se endureceu contra ele, e ficou seguro? Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e os transtorna no seu furor; o que sacode a terra do seu lugar, de modo que as suas colunas estremecem; o que dá ordens ao sol, e ele não nasce; o que sela as estrelas; o que sozinho estende os céus, e anda sobre as ondas do mar; o que fez a ursa, o Oriom, e as Plêiades, e as recâmaras do sul; o que faz coisas grandes e insondáveis, e maravilhas que não se podem contar. Eis que ele passa junto a mim, e, não o vejo; sim, vai passando adiante, mas não o percebo. Eis que arrebata a presa; quem o pode impedir? Quem lhe dirá: Que é o que fazes? Deus não retirará a sua ira; debaixo dele se curvaram os aliados de Raabe; quanto menos lhe poderei eu responder ou escolher as minhas palavras para discutir com ele? Embora, eu seja justo, não lhe posso responder; tenho de pedir misericórdia ao meu juiz. Ainda que eu chamasse, e ele me respondesse, não poderia crer que ele estivesse escutando a minha voz. Pois ele me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas sem causa. Não me permite respirar, antes me farta de amarguras. Se fosse uma prova de força, eis-me aqui, diria ele; e se fosse questão de juízo, quem o citaria para comparecer? Ainda que eu fosse justo, a minha própria boca me condenaria; ainda que eu fosse perfeito, então ela me declararia perverso: Eu sou inocente; não estimo a mim mesmo; desprezo a minha vida. Tudo é o mesmo, portanto digo: Ele destrói o reto e o ímpio. Quando o açoite mata de repente, ele zomba da calamidade dos inocentes. A terra está entregue nas mãos do ímpio. Ele cobre o rosto dos juízes; se não é ele, quem é, logo? Ora, os meus dias são mais velozes do que um correio; fogem, e não vêem o bem. Eles passam como balsas de junco, como águia que se lança sobre a presa. Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, mudarei o meu aspecto, e tomarei alento; então tenho pavor de todas as minhas dores; porque bem sei que não me terás por inocente. Eu serei condenado; por que, pois, trabalharei em vão? Se eu me lavar com água de neve, e limpar as minhas mãos com sabão, mesmo assim me submergirás no fosso, e as minhas próprias vestes me abominarão. Porque ele não é homem, como eu, para eu lhe responder, para nos encontrarmos em juízo. Não há entre nós árbitro para pôr a mão sobre nós ambos. Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror; então falarei, e não o temerei; pois eu não sou assim em mim mesmo.

JÓ [10] 1 Tendo tédio à minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma: Direi a Deus: Não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo. Tens prazer em oprimir, em desprezar a obra das tuas mãos e favorecer o desígnio dos ímpios? Tens tu olhos de carne? Ou vês tu como vê o homem? São os teus dias como os dias do homem? Ou são os teus anos como os anos de um homem, para te informares da minha iniqüidade, e averiguares o meu pecado, ainda que tu sabes que eu não sou ímpio, e que não há ninguém que possa livrar-me da tua mão? As tuas mãos me fizeram e me deram forma; e te voltas agora para me consumir? Lembra-te, pois, de que do barro me formaste; e queres fazer-me tornar ao pó? Não me vazaste como leite, e não me coalhaste como queijo? De pele e carne me vestiste, e de ossos e nervos me teceste. Vida e misericórdia me tens concedido, e a tua providência me tem conservado o espírito. Contudo ocultaste estas coisas no teu coração; bem sei que isso foi o teu desígnio. Se eu pecar, tu me observas, e da minha iniqüidade não me absolverás. Se for ímpio, ai de mim! Se for justo, não poderei levantar a minha cabeça, estando farto de ignomínia, e de contemplar a minha miséria. Se a minha cabeça se exaltar, tu me caças como a um leão feroz; e de novo fazes maravilhas contra mim. Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas contra mim a tua ira; reveses e combate estão comigo. Por que, pois, me tiraste da madre? Ah! se então tivera expirado, e olhos nenhuns me vissem! Então fora como se nunca houvera sido; e da madre teria sido levado para a sepultura. Não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me, para que por um pouco eu tome alento; antes que me vá para o lugar de que não voltarei, para a terra da escuridão e das densas trevas, terra escuríssima, como a própria escuridão, terra da sombra trevosa e do caos, e onde a própria luz é como a escuridão.

JÓ [11] 1 Então respondeu Zofar, o naamatita, dizendo: Não se dará resposta à multidão de palavras? ou será justificado o homem falador? Acaso as tuas jactâncias farão calar os homens? e zombarás tu sem que ninguém te envergonhe? Pois dizes: A minha doutrina é pura, e limpo sou aos teus olhos. Mas, na verdade, oxalá que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra ti, e te fizesse saber os segredos da sabedoria, pois é multiforme o seu entendimento; sabe, pois, que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniqüidade. Poderás descobrir as coisas profundas de Deus, ou descobrir perfeitamente o Todo-Poderoso? Como as alturas do céu é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o Seol; que poderás tu saber? Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar. Se ele passar e prender alguém, e chamar a juízo, quem o poderá impedir? Pois ele conhece os homens vãos; e quando vê a iniqüidade, não atentará para ela? Mas o homem vão adquirirá entendimento, quando a cria do asno montês nascer homem. Se tu preparares o teu coração, e estenderes as mãos para ele; se há iniqüidade na tua mão, lança-a para longe de ti, e não deixes a perversidade habitar nas tuas tendas; então levantarás o teu rosto sem mácula, e estarás firme, e não temerás.
Pois tu te esquecerás da tua miséria; apenas te lembrarás dela como das águas que já passaram. E a tua vida será mais clara do que o meio-dia; a escuridão dela será como a alva. E terás confiança, porque haverá esperança; olharás ao redor de ti e repousarás seguro. Deitar-te-ás, e ninguém te amedrontará; muitos procurarão obter o teu favor. Mas os olhos dos ímpios desfalecerão, e para eles não haverá refúgio; a sua esperança será o expirar.

JÓ [12] 1 Então Jó respondeu, dizendo: Sem dúvida vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria. Mas eu tenho entendimento como, vos; eu não vos sou inferior. Quem não sabe tais coisas como essas? Sou motivo de riso para os meus amigos; eu, que invocava a Deus, e ele me respondia: o justo e reto servindo de irrisão! No pensamento de quem está seguro há desprezo para a desgraça; ela está preparada para aquele cujos pés resvalam. As tendas dos assoladores têm descanso, e os que provocam a Deus estão seguros; os que trazem o seu deus na mão! Mas, pergunta agora às alimárias, e elas te ensinarão; e às aves do céu, e elas te farão saber; ou fala com a terra, e ela te ensinará; até os peixes o mar to declararão. Qual dentre todas estas coisas não sabe que a mão do Senhor fez istoNa sua mão está a vida de todo ser vivente, e o espírito de todo o gênero humano. Porventura o ouvido não prova as palavras, como o paladar prova o alimento? Com os anciãos está a sabedoria, e na longura de dias o entendimento.

Jó [12] 13 Com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento. Eis que ele derriba, e não se pode reedificar; ele encerra na prisão, e não se pode abrir. Ele retém as águas, e elas secam; solta-as, e elas inundam a terra. Com ele está a força e a sabedoria; são dele o enganado e o enganador. Aos conselheiros leva despojados, e aos juízes faz desvairar. Solta o cinto dos reis, e lhes ata uma corda aos lombos. Aos sacerdotes leva despojados, e aos poderosos transtorna. Aos que são dignos da confiança emudece, e tira aos anciãos o discernimento. Derrama desprezo sobre os príncipes, e afrouxa o cinto dos fortes. Das trevas descobre coisas profundas, e traz para a luz a sombra da morte. Multiplica as nações e as faz perecer; alarga as fronteiras das nações, e as leva cativas. Tira o entendimento aos chefes do povo da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho. Eles andam nas trevas às apalpadelas, sem luz, e ele os faz cambalear como um ébrio.

João [16] 32 Eis que vem a hora, e já é chegada, em que vós sereis dispersos cada um para o seu lado, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo. Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.

Jesus venceu o mundo, eu também venci e você também pode vencer! É só buscá-lo e seguir seus passos.


CONTINUA